Uma iniciativa de extensão da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) ajudou estudantes da Escola Municipal Aruanda, em João Pessoa, a transformar uma ideia em uma solução tecnológica voltada a desafios relacionados à arborização urbana e à mobilidade ativa. E a inovação já foi reconhecida em duas premiações.
Com assessoria técnica do projeto de extensão Pedagogia Urbana, coordenado pela professora Andréa Porto Sales, a equipe de robótica Lego Explorers, formada por estudantes do 8º e 9º ano, desenvolveu um sistema inteligente que alia robótica, monitoramento ambiental e participação cidadã para promover deslocamentos a pé e de bicicleta mais confortáveis e seguros.

A solução conquistou o primeiro lugar na categoria TPR INNOV (Ensino Fundamental II) do III Torneio Pessoense de Robótica Ecos do Tempo 2026, promovido pela Prefeitura de João Pessoa. Com o resultado, os estudantes representarão a capital paraibana na etapa regional da competição, prevista para janeiro de 2027, no Maranhão.
O projeto também acaba de receber menção honrosa na categoria Levantamento de Dados e Pesquisas do XIII Prêmio Promovendo a Mobilidade por Bicicleta no Brasil. O reconhecimento foi concedido ao BNC – Sistema Inteligente para Arborização Urbana e Mobilidade Ativa, desenvolvido pela equipe Lego Explorers com o apoio do projeto de extensão da UFPB. O anúncio da menção honrosa ocorreu no último dia 18, e a entrega da premiação está prevista para outubro.
Segundo a professora Andréa Porto Sales, a participação da UFPB começou quando os estudantes procuraram o projeto de extensão em busca de apoio para desenvolver uma proposta que unisse robótica e impacto social.
“O trabalho do projeto foi apresentar aos estudantes como as mudanças climáticas, a mobilidade urbana e as políticas públicas estão conectadas. A partir dessa formação, eles construíram uma solução integrada, de baixo custo e com potencial de replicação em diferentes municípios”, explica.

Durante as atividades, os estudantes, com idades entre 12 e 14 anos, conheceram conceitos relacionados ao planejamento urbano, à análise do desmatamento e às políticas públicas ambientais. Foi desse processo que surgiu a ideia de utilizar a tecnologia para enfrentar desafios relacionados à arborização das cicloestruturas, aliando a captura de carbono, por meio do plantio de árvores, à redução da emissão de gases de efeito estufa, por meio do incentivo à mobilidade por bicicleta.
Esse processo levou à criação do BNC – Sistema Inteligente para Arborização Urbana e Mobilidade Ativa, composto pelo robô Baiko e pela plataforma digital Nossa Copa.
O Baiko coleta dados ambientais e identifica áreas com maior desconforto térmico, gerando informações que podem contribuir para o planejamento de corredores verdes ao longo das cicloestruturas. Equipado com sensor de temperatura, sistema de geolocalização, microcontrolador ESP32 e estrutura produzida em impressão 3D, o robô foi testado nas ciclovias da Avenida Beira Rio e da região das Três Ruas. O deslocamento durante os testes foi realizado por ciclistas do projeto Pedagogia Urbana.

As informações coletadas alimentam a plataforma Nossa Copa, que permite à população cadastrar e acompanhar árvores, enquanto os dados produzidos pelo robô podem subsidiar decisões sobre arborização urbana, como o plantio em áreas prioritárias para reduzir ilhas de calor e incentivar a mobilidade ativa.
Além do reconhecimento nas competições e premiações, a solução também despertou o interesse de gestores públicos pelo potencial de aplicação em políticas de arborização urbana. Segundo Andréa Porto Sales, o projeto foi apresentado durante um evento sobre sustentabilidade a representantes envolvidos na articulação de políticas públicas ambientais e foi bem recebido por seu baixo custo, caráter integrado e possibilidade de replicação em diferentes municípios.
A professora afirma que a próxima etapa será acompanhar a equipe nas competições regional e nacional e continuar o desenvolvimento da solução em parceria com a escola.
“Nosso objetivo é que essa inovação possa contribuir para fortalecer políticas públicas e ampliar o acesso dos municípios a tecnologias simples, acessíveis e capazes de melhorar a qualidade de vida nas cidades”, afirma.

O projeto foi desenvolvido pela equipe Lego Explorers, formada pelos estudantes Eva Cardoso Saraiva, Poliana Iacillo Dalpra de Oliveira, Valentina Damasceno de Oliveira, Bruno Cerqueira Araújo, Pedro Ferraz Queiroz e Carlos Eduardo Victor, sob a orientação de Pryscilla Oliveira.
Coordenado pela professora Andréa Porto Sales, o projeto de extensão Pedagogia Urbana busca democratizar conhecimentos sobre planejamento urbano e incentivar a participação da população na construção de cidades mais sustentáveis.


